hit(mo)s do verão por Lucas Miyazaki Brancucci

antes da virada
ontológica – festa do köberle
(24/11/16)

//
Percorrer uma espiral
de significantes
o que é estar
no meio
fio entre
/xavier
toledo/martins/e/consol-
ação por este ponto
continental
abro o maps
que não previne
da pressão de vácuos
e confluência
abrupta de sopros
respirando o ruído
delas                você não teme
nenhuma artéria minha
ou meu exército? 

quase que sim!
rua-onça, de repente nada
que me substantive

//

O bafo, pessoa
à deriva dessa
boca solar
como ruptura de
barragem
que o suor molha
a nova camisa
anunciando o verão
e o cheiro que exala
da cachoeira
é meu
talvez
o ruído
pedindo o nome que gasta-
se na confusão de
gargantas quando disca
para o amigo e não há
nada mais que
uma boca
de ausência
no fone
com microfone

ruído do vácuo

//
Antes de confluir
substância
e pessoa para uma modificação
pouco aparente
da pele
entrou na mário de andrade
(numa de testar
a estética como matéria
e levar consigo
resíduos
do esquecimento (se aqueles
versos transformam
uma estrutura de
linguagem ou remetem
a um plano mercadológico
é uma questão de
empenho? (antes do abraço
dos copos
das vozes amorfas
(sobreposição de ecos
na virada ontológica
cadê a onça!?
queria
tanto
mínimo consolo
à pergunta a que
sua poesia
milita
(saio na noite
pulo do ônibus
chove
(lá está


 –

O calor perde
seus lábios

Minha boca
segurava alguma
até pouco tempo
atrás quando olho
nada
uma vaga
noção de segurar
uma lembrança só
quando toda a coisa
solar que segurava
minha boca
foi uma vaga
noção de sua goiaba
mordida da crosta
ao suco
a
brasa
que não fica


10-iuri-goes-to-the-park

me enamoro da ausência,
amigo

Que o movimento
da pena
se locomova ao som
de black swan
com a melancolia
do inimigo
íntimo, é o que bate
à porta –
subdesenvolvimento
ou envolva
nessa dança
imerso na ausência
com caetano
joão e gil pois
meu coração
ai de mim
perde-se
adeus J
não olha mais pra mim
nem precisa
fingir não
como pude enamorar-me
amigo


A grande víbora quer
morder eu fujo e ela volta

(– você voltou quando
desviei os olhos
do ponto de fuga
trouxe mais problemas
para os batimentos
na fila do cinema
te escuto em
meus circuitos
quando envia mensagem
aos meus amigos
quando joga futebol
atravesso trens
dou volta em praças
e aparece no outro
time
como se não estivesse
farto
dribla eu
e perco o tempo)

Clari

devido ao
consumo de instantes
como música
favorita do disco
all along
the watchtower
ou malemolência
digamos alguém
(all of me)
acabou gastando a
lábia com a serpente
da inércia
e a realidade streaming
hoje impede encontros
circulares
poderia
obsequiosamente
levar isso
em
conta

Texto: Lucas Miyazaki Brancucci 
Imagem: Vitor Ussui

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Lucas Miyazaki Brancucci nasceu em 1994, São Paulo. Estes poemas inéditos foram escritos com a chegada do verão 2016/2017, que coincidiu com o sentimento de um abraço invertido de uma pessoa sem nome, uma falta. Antes, lançou pela editora Encrenca o livro Elefantes (2015, prêmio Nascente da USP). Colaborou em revistas literárias (Cisma, Modo de usar, Germinal, Enfermaria 6 e outras) com poemas, narrativas e traduções. Está para lançar o texto Aerólitos na boca, uma ligação telefônica.

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